1.10.14

Para fazer

 Para fazer um animalário é preciso uma mão.
 
Para fazer um animalário é preciso um animal. Em vias de extinção, por exemplo.
 
Para fazer um animalário é preciso uma caneta preta.
 
Para fazer um animalário é preciso uma enorme cartolina.
 
Para fazer um animalário é preciso um x-ato.
 
Para fazer um animalário são precisos várias mãos e e vários animais. Em vias de extinção, por exemplo. 
 
Para fazer um animalário é preciso persistência e paciência.
 
Para fazer um animalário é preciso respeitar umas coordenadas e umas medidas.
 
Para fazer um animalário é preciso combinar que a cabeça fica na esquerda, o corpo no meio e a cauda na direita.
 
Para fazer um animalário é preciso aceitar que o animal pode ter de ser deformado. E que as patas nunca podem ficar na esquerda porque senão os novos animais podem ficar demasiado patudos.
 
Para fazer um animalário é preciso desenhar tramas, texturas e padrões e ir para a rua desenhar pneus, troncos de árvores, sarjetas.
 
Para fazer um animalário é preciso comprovar que podem desenhar qualquer coisas através dessas tramas, texturas e padrões. E que o contorno não existe.
 
Para fazer um animalário é preciso inventar.
 
Para fazer um animalário é preciso ter um magnífico livro onde ir buscar a ideia de fazer um animalário. 
................................................................................................................................................

Animalário Universal do Professor Revillod
Miguel Murugarren & Javier Sáez Castán
Editora Orfeu Mini, 2009
isbn  9789899556584




Animalário em vias de extinção
Projeto dos alunos de 9º ano (2013.2014)
de EV,  Colégio de Santa Doroteia, Lisboa
Edição de autor

29.4.14

Lá fora está lindo

As árvores floriram e uma semana depois
estão cheias de folhas.
O batatal saiu da terra e há toupeiras no caminho.
Antes já chegavam ao campo e iam apanhar rãs. Agora levam o livro atrás para saberem que rãs apanharam. Ou se afinal são sapos.
Lá fora é um livro de peso sem ser pesado. Ensina sem ser do alto do estrado. Está ali mesmo, lá fora, no meio deles e do mundo.
Lá fora ensina a olhar e a querer saber mais, ensina latim (que é uma coisa muito séria) mas também que as pedras que pisamos aqui são diferentes
das que fazem desenhos nos passeios da cidade onde vivemos.
E que as da barragem, lá para Montargil, fazem uns magníficos "peixinhos".
Foi lá que encontrámos um passarinho morto e que viemos depois tentar descobrir quem era.
É divertido encontrar os desenhos do livro lá fora. E aprender que algumas plantas que nascem por ali podem ajudar a temperar o cabrito da Páscoa!
Neste guia estão escondidas mil histórias: umas já contadas, outras por contar. E quem conta somos nós. Um outro DIY.
Ao mesmo tempo que é sobre o mundo é completamente português
e isso é um grande orgulho. Hoje mais do que nunca.
Lá fora é sabedoria e preguiça 
porque as duas coisas fazem imensa falta.
Lá fora fala da lua e dos limões;
afinal, são os dois amarelos e estão lá fora.
Agora andamos a colecionar coisas que há aqui neste campo e Lá fora
e já ansiamos pelo verão, para mergulhar no capítulo da praia e podermos chegar a Cacela Velha e pedir um arroz de Pharus legumen e sabermos exatamente o que é que estamos a pedir.
Lá fora está lindo, lá fora mesmo e o livro, mesmo.
Vale a pena sair e entrar.
...............................................................
Lá fora
Planeta Tangerina, 2014
Maria Ana Peixe Dias e Inês Teixeira do Rosário, texto Bernardo Carvalho, ilustração 
isbn 9789898145581

2.4.14

DIY: livro infantil

O Super Livro para Super-Heróis apareceu no sapatinho, no Natal, para o R.

Tem trabalhado arduamente nele e, digo eu, está a ficar mesmo bem.

Umas vezes obedece às legendas, outras vezes é vê-lo pintar por puro prazer de ver as canetas a deixarem marcas no papel.

Às vezes os irmãos ou outros miúdos, chegam-se e ajudam na página ao lado.

Esgotou todas as canetas vermelhas de casa. O cor-de-rosa usa com parcimónia e só porque não há vermelho.

O livro já era extraordinário antes de ele o ter começado a fazer: ilustrações, atividades, cores, tipo de papel, formato, preço.

E tem tudo, autocolantes,
 
recortes,
 
desenho.

O R tem 3 anos e 4 meses e tem o livro há 3 meses; nesta idade é bonito ver como vão desenhando de forma diferente,

desde a maneira de pegar nas canetas, ao tipo de traço que escolhem e por onde começam o desenho.

E a maneira como acreditam que são mesmo o Homem-Aranha só porque vestiram um fato e vão lançando teias, tchiuu, às pessoas que passam na rua e que são, obviamente, vilões.

E é uma verdadeira lição de desenho, vê-lo trabalhar muito tempo seguido, cantando e recusando ir jogar futebol comigo para a praça —

porque hoje está um daqueles dias de sol e chuva, brilhante, brilhante.

E eu que até tenho bom toque de calcanhar...

Viva o Dia do Livro Infantil, viva o livro infantil.

........................................................................................... 
The Super Book for Super-Heroes
Laurence King, 2013
Jason Ford
isbn 9781780673059
primeiro visto num blogue que não me lembro
comprado aqui

26.3.14

ler (e construir) o mundo aos bocadinhos

Hoje (dia 22), celebramos os 5 anos da prateleira com bandeiras: as bandeiras são coisas extraordinárias, toda a gente sabe disso.

As bandeiras são todo um mundo, literalmente.
Tudo começou não há cinco mas há seis anos atrás quando o avô trouxe duma viagem a agora famosa "bola das bandeiras". Decorria um qualquer campeonato e o miúdo B chutava a bola pelo menos tantas vezes quantas perguntava de que país era aquela bandeira e a outra e a outra.


Daí, já não sei porquê (talvez porque as bandeiras são coisas extraordinárias, toda a gente sabe disso), começámos a fazer bandeiras com papéis e pauzinhos do Aya que, também o avô, trazia dos seus almoços. Depressa tivemos de arranjar um livro de bandeiras para alargar o leque de conhecimentos que a mini bola nos dava.

Depois veio o T e outro qualquer campeonato nos lembrou das bandeiras. Construímos mais umas, aprendemos mais outras. Afinal o campeonato era outro e havia países repetidos, claro, mas outros eram novos.

Os anos passaram e num verão quente, veio do supermercado da praia um caderno com bandeiras autocolantes. As sestas eram produtivas e aprenderam — porque eles aprendem, eu só esqueço — mais um bocadinho do mundo.
No outro dia percebemos que o B sabe quase todos os países do mundo e onde são. Justifica-se, dizendo que está sentado no lugar ao lado do planisfério, de maneira que sempre que há uma pausa, vai estudando. Eu faço o mesmo, juro, sempre que estou na mesma sala com um mapa mundo, mas no dia seguinte já não sei se o Belise é no Benine ou vice-versa.

Agora o R encontrou as velhas bandeiras. Algumas desapareceram outras estavam moribundas, como alguns países. Depois de as recuperarmos (quem dera fosse tão fácil recuperar os verdadeiros) decidimos completar a Europa. Começámos pela ocidental e estamos a caminho da oriental.
Não é preciso muito: uns papéis de cores, uma cola e uma fita cola, uma tesoura e uns pauzinhos. Umas canetas também ajudam nalguns emblemas. Não há régua e esquadro nem medições; elas ficam mesmo bem, assim tortas e feitas à mão.

Separáramos por continentes mas o R não se conformou em não pôr a Argentina na Europa. Ele lá sabe.

E assim vai aprendendo a ler (e a construir) o mundo aos bocadinhos— Argentina, Brasil, África do Sul, Croácia — pelas cores e pelas formas, que também são palavras, grandes palavras.
...............................................................................
O livro das bandeiras/As bandeiras do mundo